Quem não assistiu um dia: A corrida maluca


Em 1968 a rede norte-americana CBS teve a estreia de uma série animada que marcaria toda uma geração A Corrida Maluca. Jerry Eisenberg e Iwao Takamoto criaram para os estúdios Hanna-Barbera um novo  conceito. 

Em vez de um personagem central e seus amigos e inimigos, ou um pequeno grupo de personagens principais, a série Corrida Maluca trouxe mais de vinte protagonistas, todos participantes de uma louca corrida onde valia tudo, menos perder. Para isso, eles se inspiraram principalmente no longa-metragem que fez um grande sucesso em 1965, A Corrida do Século (de Blake Edwards), de onde tiraram, por exemplo, o vilão Dick Vigarista do personagem interpretado por Jack Lemmon e a Penélope Charmosa da personagem de Natalie Wood. 


Outro filme de 1965, que não foi esquecido como base para o desenho, foi Esses Homens Maravilhosos com Suas Máquinas Voadoras (de Ken Annakin) de onde vieram muitas das caracterizações físicas dos personagens.

Corrida Maluca foi apresentado originalmente pela rede CBS, nos Estados Unidos, estreando no dia 14 de setembro de 1968 e ficando no ar até o dia 5 de setembro de 1970. Depois de duas temporadas, totalizou 17 episódios, cada um com duas diferentes corridas, tendo ao todo 34 disputas.


O desenho fez tanto sucesso que gerou outras séries animadas protagonizadas pelos seus personagens de mais sucesso. Dick Vigarista e Muttley estrelaram Máquinas Voadoras, agora a bordo de um avião mas ainda usando métodos sujos para atingir seus objetivos. Já Penélope Charmosa e a turminha de minigângsters (agora com um carro novo, o Chugga-boom) foram parar em Os Apuros de Penélope, onde a jovem herdeira era perseguida por um caça fortunas traidor chamado Tião Gavião.


A História

Disputando o título de "O Corredor Mais Louco do Mundo", onze carros (se é que podemos chamar de carros aquelas engenhocas) correm por diversas estradas, cheias de obstáculos e perigos. Os episódios giravam em torno do grande enduro que começava quando um simpático narrador anunciava: "aqui estão os volantes mais birutas do mundo para realizar mais uma Corrida Maluca. Numa disputa do título de "Volante Mais Biruta do Mundo" e aí eles se alinhando...”

Geralmente os competidores usavam tudo que seu veículo lhe proporcionava para fugir dos obstáculos da corrida, mas sempre de maneira limpa e esportiva, exceto por um competidor, o Dick Vigarista, que preferia passar a maior parte do tempo inventando armadilhas para despistar os corredores. 

Essa prática, parecia ser realmente mais importante para o Dick do que propriamente vencer, já que muitas vezes estando em primeiro lugar e a quilômetros de distância, ele parava seu carro para montar as armadilhas. Claro que os esforços maliciosos de Dick nunca davam certo e na verdade prejudicavam mais sua performance na disputa do que aos outros competidores. Por isso, o vilão só conquistou o primeiro lugar na corrida da Cidade Fantasma, mas foi desclassificado pelos juízes por trapacear na chegada.


Os Pilotos

O veículo de número 00 trazia um inesquecível par de vilões, Dick Vigarista e seu cãozinho Muttley. Sempre inventando complicados planos para colocar os outros competidores fora da corrida, Dick invariavelmente se dava mal. Seu carro foi o único a nunca vencer uma das 34 provas, apesar de todo o esforço de Dick, o que era motivo de sobra para Muttley rir das asneiras do dono.

O carro número 1, chamado de Carro da Idade da Pedra era pilotado pelos irmãos Rock e Gravel ou simplesmente os Irmãos Rocha. Peludos homens das cavernas eles eram parecidíssimos com o Capitão Caverna, enquanto seu veículo lembrava muito os carros que apareciam nos desenhos dos Flintstones.

Dando pauladas um na cabeça do outro os irmãos levaram o Carro da Idade da Pedra três vezes à vitória, em Idaho 2, Baja-Ha-Ha e A Toda Velocidade.

O Coupê Assombrado, inscrito no número 2, levava personagens que pareciam saídos da Família Addams. O carro era apavorante, cercado de fantasmas, e lembrava uma junção de um veículo antigo com uma torre de um castelo da Transilvânia. 

Seus pilotos eram o baixinho Medinho, uma espécie de Gomez e seu Gigante de estimação Medonho, uma versão moderna do Frankenstein. Mas no seu interior ainda escondia-se um dragão, uma serpente marinha, uma bruxa, entre outras criaturas. O Coupê Assombrado ganhou três corridas: Wyoming, Road Island e Racine Carlsbad.


O professor Aéreo era uma espécie de cientista louco que pilotava seu veículo de número 3, também conhecido como Carro Conversível. Com um estranhíssimo senso de humor, o Professor era conhecido como um rival de Dick Vigarista, pois o seu carro era um dos poucos capazes de fugir de suas armadilhas, graças às engenhocas do professor que permitiam bloquear as trapaças feitas pelo vilão. O professor venceu ao todo três corridas, a de Missouri, Texas e Uni-Duni-Tê.

O Lata Escarlate era outro veículo híbrido, meio carro, meio avião no estilo da Primeira Guerra Mundial, que vinha até com metralhadoras e outros artefatos bélicos. O carro que levava o número 4 estampado e era pilotado pelo Barão Vermelho, personagem inspirado no aviador de mesmo nome, venceu três vezes a Corrida Maluca, em Arkansas, Altos e Baixos e Pólo Norte.

Uma das favoritas da torcida vinha no carro de número 5 chamado Carrinho para Frente. O carango todo cor-de-rosa, aliás a cor favorita de Penélope, tinha até até rosto feminino. Com seu batom e pó-de-arroz, a patricinha Penélope Charmosa, não abria mão de suas engenhocas que a ajudavam a manter-se sempre linda, durante as corridas. A figura feminina da corrida representou bem as mulheres e levou o troféu de primeiro lugar em quatro oportunidades: na Cidade Fantasma, Alabama, Pensilvânia e Carlsbad.


Correndo com o número 6, tínhamos uma mistura de tanque de guerra, rolo compressor e jipe chamado de Carro Tanque. O forte e rápido tanque do exército americano era controlado pelo sonolento soldado Meekley e seu rude Sargento Bombada, no que parecia ser uma homenagem ao Recruta Zero e ao Sargento Tainha. Apesar de pilotarem um carro extremamente pesado os dois militares venceram três vezes a Corrida Maluca, em Gorila, Chillicothe e Idaho.

No carro número 7 escondia-se uma quadrilha de sete gângsteres anões conhecida como a Quadrilha da Morte. Liderada pelo baixinho Clyde, a quadrilha tinha ainda outros seis pilotos do carro Bomba Bala. Eram eles: o beiçudo Rug-Bug, Danny, o carrancudo Mac, o simpático Kurby, Willy e o bobão Dum Dum. Apesar do espaço do carro eles sempre andavam todos juntinhos no interior do veículo. Os gangsteres atrapalhados ganharam 4 corridas: Virgínia, Dakota, Raleigh e Hackensack.

Diretamente do Arkansas, participava da corrida o caipira Tio Tomás e seu urso de estimação, o covarde Chorão. Enquanto o caipira quase adormecia de tanta preguiça, o encorpado Urso só faltava enfartar com os perigos da estrada. A bordo do carro número 8, a Carroça à Vapor, os dois conduziam sua corrida bem no estilo Família Buscapé. O caipira, fumando seu cachimbo tranquilamente e com aquele carregado sotaque do Texas, ainda abocanhou 4 corridas durante os episódios de Corrida Maluca. Foram elas: Yellow Rock, Pântano, Dellaware e Hollywood.


O galã da corrida Peter Perfeito, vinha no possante número 9, o comprido dragster conhecido como Carrão Aerodinâmico. Peter era conhecido por seu cavalheirismo. O engraçado era que seu veículo vivia se desfazendo, obrigando Peter a repará-lo o tempo todo, apesar de algumas vezes conseguir escapar de situações complicadas, devido ao desenho do seu carro. Seu jeitão de garoto propaganda de creme dental lhe rendeu 4 corridas no pódio, a do Mississipi, Washington, Deserto e Flórida.

E fechando a lista, com o número 10, um carro de madeira e rodas de serra pilotado pelo Rufus Lenhador e seu amigo castor Dentes-de-Serra. O Serromóvel tinha umas rodas de serra elétrica o que transformava Rufus numa espécie de vilão, já que vez ou outra prejudicava algum competidor com seus carro. O robusto corredor com aquele sorrisinho irônico foi três vezes o vencedor da corrida, ganhando a do Bem no Coração, Estrada Não Era Essa e Vale Tudo.


No Brasil

No Brasil esta série de desenho animado foi apresentada em quase todas as emissoras de canal aberto e ainda vez por outra continua a ser apresentado em diferentes épocas e canais.

A dublagem brasileira ficou a cargo da TV Cinesom do Rio de Janeiro. A Narração era realizada por Neville George; Dick Vigarista, Medonho e os Irmãos Rocha ficavam a cargo de Domício Costa; o Professor Aéreo por Cauê Filho; a glamorosa Penélope Charmosa por Miriam Thereza; Clyde e Peter Perfeito por Luís Carlos de Moraes; Ring-Ding por Pádua Moreira e finalmente Dum-Dum por Mário Monjardim.


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